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"DEUSA" ROSANA FALA DA SUA CARREIRA E PROJETOS |
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(Por:
Sílvia Tuka Pereira)
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Talentosa e de uma
beleza incontestavelmente exótica, Rosana Fiengo
nasceu no bairro paulistano do Brás, em 7 de
março de 1962. Cresceu ouvindo músicas sobre
grande influência do pai, que tinha um grupo de
rock. Seus estilos preferidos eram blues, jazz e
rock. |
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Precoce, começou a
tocar teclado ao seis anos de idade incentivada
pela tia Eda, que tocava piano. Aos nove anos
iniciou a expansão seus dotes musicais
aprendendo outros instrumentos, como violão
clássico e guitarra. "Toco todos os instrumentos
de corda, teclado, piano, faço bases de
gravações, gosto muito de poder eu mesma tocar
os instrumentos nas músicas que canto. Entender
de música além dos vocais dá um toque a mais.
Você pode ir além porque sabe que um violão pode
chegar até certo tom, isso complementa a beleza
da voz".
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Com apenas 13 anos começou a cantar
profissionalmente na banda de seu pai, Aldo
Fiengo, a "Casanova’s". A partir de então
começaram as viagens com shows e animação de
bailes em cidades do interior da capital. "Tive
muita influência de meu pai no início porque ele
já era músico. Me ensinou a apreciar estilos
poucos populares como jazz e blues, mas acabei
me tornando uma fascinada por MPB também.
Considero como o melhor dos estágios esta minha
fase de animação de bailes viajando pelo país.
Aprendi demais, foi a base para a cantora que eu
estava para ser e não tinha nem idéia".
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Seguiu a carreira
fazendo diversos jingles publicitários e backing
vocals para cantores renomados. "Gravei com
muita gente conhecida. Adorava ver de perto
pessoas que eu admirava tanto. Às vezes
simplesmente não acreditava que estava fazendo
vocais para os cantores que eu via na televisão
e ouvia no rádio. |
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A única pessoa com quem sinto não ter gravado
foi com meu ídolo maior, Elis Regina. Minha
carreira tem muito de inspiração dela". Rosana
teve contato com Elis quando comemorou
aniversário de uns 12 anos, ela lembra: "minha
mãe, dona Zenaide conseguiu me levar a um ensaio
da artista. Foi maravilhoso! Não sabia o que
dizer a ela então me agarrei a suas pernas e
disse que também era cantora" - se diverte. |
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Rosana teve
participações em vários festivais de MPB, sempre
se classificando como melhor intérprete e
deixando o público boquiaberto com sua
capacidade vocal. Mesmo assim foi rotulada como
uma cantora de estilo elitista por cantar ritmos
como r&b, jazz e blues e não fez muito sucesso.
Em 1981 classificou-se o Festival MPB Shell da
TV Globo e, no ano seguinte, assinou contrato
com a RCA, mas acabou não lançando nenhum disco.
"Eu sempre tive muita autocrítica. As músicas
que eu escolhia eram aquelas que eu gostava e
eram fora do circuito popular, aquele que vende
discos".
Com o caminho de
sua carreira seguindo diferente daquilo que
esperava, Rosana ficou em dúvida entre seguir
como cantora ou estudar: "Tinha 18 anos e tinha
passado no vestibular para psicologia da Gama
Filho e era uma coisa que eu queria muito.
Aliás, até hoje eu adoro saber sobre coisas
relacionadas à psicologia. Tive que optar pelo
estudo ou pela música e fiquei muito indecisa,
mas acabei escolhendo o que todo o Brasil sabe"
- explica.
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Mesmo assim,
depois de algum tempo tentando fazer decolar a
carreira, decidiu se mudar para os Estados
Unidos para trabalhar por lá com um grupo de "heavy
metal-rock" que havia montado: "Queria ir embora
e ver se alguma coisa acontecia lá fora, porque
aqui parecia que nunca iria dar em nada. |
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E mais uma coisa:
eu estava atravessando uma fase muito confusa.
Ecletismo de estilos era o que não me faltava.
Por bondade de Deus, minha voz sempre se
encaixou em qualquer que fosse o gênero. Amava
Janis Joplin e Elis e me julgava capaz de cantar
tão bem quando ambas".
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Neste intervalo de
preparativos para a ida ao exterior, o sucesso
parece ter batido à sua porta por interferência
do destino. Por obra do acaso, uma fita demo foi
parar na TV Globo com a música "Nem Um Toque", e
foi incluída na trilha sonora de uma novela no
horário de maior audiência. A novela era a "Roda
de Fogo", das 20h, e a música tornou-se uma das
mais executadas nas rádios daquele ano (1986).
Era o lançamento de Rosana como cantora
romântica. "Eu nem lembrava que eu tinha gravado
a música, acredita? O Max Pierre da Som Livre
que me conhecia desde a época dos jingles e
backings, acreditava mais em meu sucesso do que
eu mesma e me fez gravar "Nem um Toque" em
estúdio. Na verdade, a música estava escalada
para outra cantora, mas quem gravou fui eu, sem
a menor pretensão de nada mesmo". A canção era
tema da personagem interpretada pela atriz
Mayara Magri, que era apenas uma das
coadjuvantes da história. Apesar disso, ganhou
um destaque enorme pelo interesse imediato do
público.
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Na época Rosana
morava em São Paulo com a mãe e o seu pai morava
no Rio de Janeiro. "Estava mesmo de partida para
o exterior quando o meu pai ligou dizendo que a
música estava estourada nas rádios do Rio. Ele
me disse para ficar que aquele seria o momento
de começar definitivamente minha carreira. Ouvi
e fiquei, ele estava certo".
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A busca do sucesso
em terras estrangeiras ficou para trás naquele
momento. Rosana ficou no Brasil e se tornou em
pouco tempo uma das mais aclamadas cantoras pop
da década de 80. "Cair do anonimato direto para
um dos hits mais executados em rádios foi muito
pra mim. Eu não sabia como agir, não sabia o
certo que rumo estava tomando a minha vida, mas
só sei dizer que eu estava adorando tudo
aquilo".
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O título de grande cantora se confirmou aos 25
anos com o sucesso seguinte: "O Amor e o Poder".
A música foi mais uma trilha de novela em
horário nobre, desta vez era tema dos
personagens principais, Vera Fischer e Nuno Leal
Maia, na novela Mandala de 1987. O verso "como
uma deusa" foi cantado pelos quatro cantos do
país. Virou a música mais tocada em todas as
rádios e Rosana passou a participar de todos os
programas de auditório, aclamada pelo público
que cantava junto com ela cada palavra da
canção. "Toda vez era uma emoção única, nunca
pensei em sucesso queria apenas cantar porque
era a minha verdadeira paixão". |
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A "deusa" de "O
amor e o Poder" é associada até hoje à figura de
Rosana. Era assim que o grande público a chamava
e a chama até hoje. Basta lembrar da potente e
inigualável voz de Rosana Fiengo, facilmente
adequada a qualquer timbre, ritmo e estilo, que
mesmo afastada da mídia retorna à memória dos
brasileiros automaticamente.
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Foram 10 discos,
14 trilhas de novela, dezenas de prêmios,
viagens e turnês por vários países. "Eu saí da
mídia, mas nunca parei com os shows. Viajei
bastante, amadureci muito, tive um filho! Como a
vida muda depois da maternidade! Hoje o David
tem 6 anos e me acompanha pra onde vou. |
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A carreira de
cantora que estava 3 dias por semana no programa
da Xuxa ficou pra trás". Sente falta do assédio
do público? "Sinto. Aliás, é uma das poucas
coisas que sinto falta. Fui eu que optei por me
manter mais distante dos holofotes mesmo
continuando minha carreira com shows até mesmo
fora do país. Sabe, na época que o sucesso está
acontecendo a gente nem se dá conta! Não
aproveita nada, não vê o tempo passar,
simplesmente acontece".
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Atualmente os
projetos são muitos: "Em primeira mão, hein?
Tenho um projeto de programa na televisão. Só
não posso revelar em qual emissora ainda. Vou
fazer um programa de artes plásticas. Ninguém
iria acreditar, né? A Rosana suja de tinta
ensinando a pintar!" - brinca a cantora. "Também
vou participar de um festival de música
internacional em Barcelona, estou ansiosa e
feliz".
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"Na Trash 80’s?
Queria fazer uma grande brincadeira na minha
apresentação! Imagina que legal se enquanto eu
cantasse tivesse uma drag fazendo uma
performance bem exagerada junto comigo? Nossa,
seria espetacular!" - se diverte.
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OBS: Se Rosana
mudou com o passar do tempo foi para melhor. A
qualidade da voz da artista até assusta, pois
flui com uma naturalidade absurda. Sai firme,
forte, perfeita. Durante o ensaio para o show
que fez em um bar no bairro de Higienópolis, em
São Paulo, a cantora deu um espetáculo. Tentar
fotografá-la foi algo quase impossível.
Metódica, não parava um segundo quieta enquanto
o som não estivesse totalmente da maneira que
desejava. David, o filhinho de 6 anos, canta do
começo ao fim todas as músicas da mãe e sente
orgulho. Ver de perto a "deusa" foi algo que
esperava há tempos, desde os inesquecíveis
"Globos de Ouro" e prêmios Sharp, que venceu por
tantas vezes.
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CRÉDITOS |
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Matéria
e fotos gentilmente cedidas por
Sílvia Tuka
Pereira -
Trash80s. |
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